sábado, 29 de abril de 2017

SALVADOR ☼ Segurança tem prisão decretada por mortes no trem

Caso ocorreu na estação de trem em Santa Luzia do Lobato; Cleidson P. Santos e David C. Barreto não resistiramEuzeni Daltro l Ag. A TARDE

A Justiça decretou, nesta sexta-feira, 28, a prisão temporária do segurança Júlio César de Jesus Perpétuo, 33 anos. De acordo com a Polícia Civil, ele foi indiciado como autor dos tiros que mataram dois estudantes e feriram outros dois na tarde da última quinta-feira, na estação de trem onde trabalhava, em Santa Luzia do Lobato. As vítimas voltavam da escola.

Cleidson Pereira Santos, 15 anos, levou um tiro no pescoço, e David Cruz Barreto, 16, foi baleado três vezes nas costas. Eles foram levados ao Hospital do Subúrbio por populares, mas morreram.

“Sempre fiz de tudo para meus filhos não se envolverem com nada de errado e esse homem mata meu caçula como se fosse um marginal”, disse, aos prantos, a vendedora Keldiane Santos, 40, mãe de Cleidson.

Ela lembra que deixou o filho sem estudar por um ano. “Tirei da escola, em São Caetano, por medo. Sempre tinha tiroteio. Agora acontece isso”, lamenta a mãe. Atualmente, Cleidson estudava na Escola Estadual Castro Alves, nos Mares.

Discussão

O irmão dele, de 17 anos, só não foi baleado porque pulou um muro e se escondeu. Relatos de testemunhas revelam que Júlio César discutiu e ameaçou David e Cleidson. A discussão ocorreu, por volta das 13h30, quando os jovens pegaram o trem para ir à escola.

Uma adolescente de 15 anos, que levou um tiro de raspão na mão esquerda, contou aos policiais que o segurança xingou e ameaçou David por ele ter colocado o pé na porta do vagão. Na volta, por volta das 16h, o segurança se aproximou deles atirando.

Um adolescente de 16 anos, que foi baleado nas costas, voltou para o vagão e desceu na estação do Lobato. Ele foi levado, pelo Samu, ao Hospital do Subúrbio, onde passou por cirurgia e permanecia internado. 

Tanto a mãe de Cleidson, quanto parentes de David disseram que Júlio César conhecia os estudantes e seus familiares, porque já moraram na mesma rua. 

Segundo Keldiane, o segurança Júlio César mandou David sair da porta e ele disse que sairia quando o trem apitasse. “Ele chegou por trás, disse ‘Você é muito gaiato’ e deu um tiro no pescoço do meu filho”. 

Em nota, a Companhia de Transportes do Estado da Bahia (CTB) informou que há relatos de que os disparos tenham sido efetuados pelo funcionário de uma empresa de vigilância e segurança patrimonial e que o contrato não prevê vigilância armada na estação de Santa Luzia do Lobato. A CTB afirma já ter solicitado à empresa esclarecimento e providências.

“Em tempo, lamenta o ocorrido, registrando que não compactua com atos de violência, e se solidariza com as famílias”, diz a nota.

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