terça-feira, 30 de maio de 2017

DERAM NO P√Č ūüė° O que aconteceu com as bicicletas que estavam aqui em Salvador?


Passar uma tarde em Itapu√£, depois ver o p√īr do sol na Barra e, encerrar o dia em alguma festa pelos v√°rios largos e pra√ßas do Pelourinho √© um roteiro poss√≠vel para uma pessoa que possui carro ou se aventura no transporte p√ļblico de Salvador, por mais que a cidade se desenvolva em torno de meios de locomo√ß√£o, como o autom√≥vel, √īnibus e o metr√ī, cresce cada vez mais o n√ļmero de pessoas que se utilizam da bicicleta como forma de transporte di√°rio.

A quarta maior cidade do Brasil, com quase 3 milh√Ķes de habitantes, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat√≠stica (IBGE), iniciou tardiamente o desenvolvimento do seu sistema ciclovi√°rio. At√© 2012, a cidade possu√≠a apenas 11,4 quil√īmetros de ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas (quando, no asfalto, h√° uma indica√ß√£o por onde devem passar os ciclistas).

Mesmo com a recente melhora na infraestrutura ciclovi√°ria e no fomento do uso das bicicletas como meio de locomo√ß√£o e lazer por parte do poder p√ļblico local, a capital baiana ainda se encontra atr√°s de cidades como S√£o Paulo, Rio de Janeiro e Bras√≠lia quando o assunto √© a malha vi√°ria para tr√°fego de bicicletas. 

Usuários apontam como principais problemas a falta de conexão entre as ciclovias e ciclofaixas, a segurança nesses locais, a não integração plena da malha cicloviária com terminais de transporte e falhas estruturais no sistema de bikes compartilhadas.

Uma das principais a√ß√Ķes de est√≠mulo para o uso de bicicletas na cidade, √© o projeto “Bike Salvador”, implantado pela prefeitura em 2013 e executado em parceria com o banco Ita√ļ e a empresa Serttel. S√£o 400 bicicletas distribu√≠das em 40 esta√ß√Ķes espalhadas pela cidade, a grande maioria na orla mar√≠tima e centro.

O sistema tem mais de 130 mil usuários cadastrados e se configura como uma solução de transporte de pequeno percurso para facilitar o deslocamento das pessoas nos centros urbanos. Ele funciona via credenciamento anual no valor de R$ 10,00 que pode ser realizado na internet e após aprovação, o usuário pode retirar as bikes dos terminais através do aplicativo para smartphones, ligação para central ou pelo Salvador Card.

As regras de utiliza√ß√£o das bicicletas funcionam com viagens de 45 minutos com intervalos de 15 minutos entre elas. Apesar da iniciativa, usu√°rios do Bike Salvador atualmente reclamam da presta√ß√£o do servi√ßo, alegando principalmente problemas no aplicativo, aus√™ncia de fiscaliza√ß√£o e a falta de bicicletas nas esta√ß√Ķes que dificultam o uso das “laranjinhas”.


“O pr√≥prio aplicativo √†s vezes apresenta muito erro, ent√£o tem esse tempo de esperar a bicicleta sair, de ver se tem algu√©m chegando com uma outra pra voc√™ pegar, o tempo pra ver se vai chegar algu√©m pra retirar uma bicicleta e voc√™ ter uma vaga para coloca-la. Ent√£o todas essas incertezas contribuem para as pessoas n√£o usarem tanto”, alega a atriz Bruna Nolasco.

Outro fator que vem gerando queixa dos usu√°rios √© em rela√ß√£o a manuten√ß√£o das bikes que sofrem com a√ß√£o de v√Ęndalos, fen√īmenos naturais e acidentes de tr√Ęnsito.

“Pelas quest√Ķes do uso e p√īr as esta√ß√Ķes n√£o serem cobertas, as bicicletas acabam sendo danificadas. O desgaste desse equipamento acaba sendo muito grande e n√£o existe uma reposi√ß√£o imediata. Isso √© uma coisa que tem ocorrido muito dentro do sistema, voc√™ chegar na esta√ß√£o para retirar uma bicicleta e, na hora, ela constar que est√° em manuten√ß√£o”, afirma a produtora e publicit√°ria Erica Telles.

Al√©m dos fatores estruturais que dificultam o acesso as bikes compartilhadas, os ciclistas ainda enfrentam problemas no tr√°fego da cidade. Mesmo com a amplia√ß√£o da estrutura ciclovi√°ria, as faixas exclusivas para bicicletas n√£o se conectam entre si, obrigando os usu√°rios a enfrentarem o tr√Ęnsito de Salvador que ainda encontra resist√™ncia por parte de alguns motoristas a dividirem as vias com os ciclistas.

Para Valdiria Fernandes, o processo de educa√ß√£o e conscientiza√ß√£o dos motoristas em rela√ß√£o a percep√ß√£o de divis√£o do tr√Ęnsito com os ciclistas ainda √© lento, por√©m a estudante consegue notar uma melhoria nesse v√≠nculo quando participa de pedais por Salvador.

“Os carros buzinam para nos cumprimentar, n√£o apenas para mandarem que saiamos das ruas. Isso de nos mandarem ir para a ciclovia acontece, mas j√° n√£o √© mais t√£o frequente. Alguns motoristas nos olham como se n√≥s estiv√©ssemos tirando o espe√ßo deles. Um problema √© que as ciclovias n√£o se interligam, e as que s√£o no meio da rua, como no corredor da Vit√≥ria e na Ribeira, os carros usam como estacionamento”, ressalta a ciclista.

COLETIVO PEDAL

Algumas a√ß√Ķes na cidade impulsionam o uso das bikes como alternativa para transporte, grupos de pedais s√£o cada vez mais presentes nas ruas de Salvador, al√©m de coletivos formados por ciclistas volunt√°rios com o intuito de ensinar pessoas a pedalarem e promover eventos de conscientiza√ß√£o. Um destes grupos √© o “Bike Anjo Salvador“, que presta atendimentos individuais e duas vezes por m√™s, sempre aos domingos.

Segundo uma das articuladoras do projeto nacional em Salvador, Marcella Marconi, √© vis√≠vel que as esta√ß√Ķes do “Bike Salvador” est√£o mais vazias e que o aplicativo desenvolvido para o sistema precisa ser melhorado, j√° que ele apresenta que em determinadas esta√ß√Ķes n√£o tem bicicletas dispon√≠veis quando na verdade tem, ou quando uma bike √© devolvida e o sistema aponta que n√£o.

“Cada vez mais se ver a demanda crescente no n√ļmero de ciclistas na cidade, mas o fato do sistema n√£o funcionar faz com que menos pessoas procurem porque elas j√° v√£o tendo a no√ß√£o de que n√£o vai ter a bicicleta dispon√≠vel. Salvador ainda estacionou no n√ļmero de esta√ß√£o, a gente n√£o teve um aumento. Manteve a bicicleta somente na orla, nos centros de lazer, n√£o houve uma expans√£o para outras √°reas da cidade”, aponta Marcella.

Apesar das cr√≠ticas ao sistema e o baixo n√ļmero de bikes nas esta√ß√Ķes p√ļblicas de compartilhamento relatados pelos usu√°rios, o presidente da Empresa de Turismo S/A – SALTUR, Isaac Edington, respons√°vel pelo servi√ßo Bike Salvador e pelas a√ß√Ķes do movimento “Salvador vai de bike”, afirma que n√£o houve uma diminui√ß√£o no n√ļmero de bicicletas.

“Muitas vezes quando o usu√°rio vai se dirigir a determinada esta√ß√£o, por algum tipo de vandalismo no sistema de comunica√ß√£o ou na pr√≥pria esta√ß√£o, o usu√°rio avisa e n√≥s acionamos a empresa e ela vai dar a manuten√ß√£o. Mas de fato acontecem problemas, n√£o estamos imunes, mas em geral o sistema funciona bem”, assegura o gestor.

Edington ainda garante que, nos pr√≥ximos meses, o sistema ir√° passar por melhorias de infraestrutura devido a entrada de uma nova organiza√ß√£o na presta√ß√£o do servi√ßo que se comprometeu a modernizar e ampliar o sistema. Em rela√ß√£o a oferta de bikes nas esta√ß√Ķes, ele garante que isso √© fruto da din√Ęmica do sistema de bicicletas compartilhadas.


“√Äs vezes tem uma esta√ß√£o fora do ar por conta de um problema ou ent√£o a perda de conex√£o, por que muitas vezes quando o aplicativo n√£o funciona √© porque houve algum dano na esta√ß√£o que est√° comprometendo o processo de comunica√ß√£o dela com a central, e por conta desse dano eletromagn√©tico e o aplicativo n√£o representa a verdade. Em outros momentos, essas esta√ß√Ķes funcionam com o Wi-fi, ent√£o √†s vezes se tem um problema na operadora de telefonia em quest√£o de sinal. Mas que acontecem problemas, eles acontecem sim, mas a inten√ß√£o √© sempre melhorar”, esclarece.

Escola Bike Anjo! Piat√£ 13/11/2016 (Fotos: Ant√īnio Cezar, F√°bio Castro, Marcella Marconi, Paulo Vieira/BIKE ANJO SALVADOR).

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