terça-feira, 30 de maio de 2017

FEIRA DE SANTANA: Médico e diretor da Casa de Saúde Santana registram queixa após interdição durante cirurgia

O centro cirúrgico, a lavandaria e a farmácia do hospital Casa de Saúde Santana foram interditados na tarde de ontem (29), pelo Núcleo Regional de Saúde. A ação ocorreu no momento em que um paciente estava sendo operado, o que motivou uma queixa no Complexo Policial de Feira de Santana, registrada pelo médico Tarcízio Pimenta e pelo diretor do hospital Carlos Germano.

Em entrevista ao Acorda Cidade, Tarcízio informou que 99% dos pacientes são do Sistema Único de Saúde (SUS) e que a interdição prejudica pacientes de Feira de Santana e microrregião. Ele não informou os motivos da interdição, mas acredita que tenha a ver com alvará de funcionamento, regularização que já vem sendo discutida há algum tempo.

Tarcísio informou que no hospital havia pacientes com sérios problemas de saúde, que aguardavam há muito tempo por uma cirurgia, e que durante a interdição não foi dada nenhuma opção de como a Casa de Saúde poderia proceder em relação às pessoas que estavam internadas.

“O que aconteceu ontem foi uma grande aberração. Eu diria um fato inusitado, que merece uma análise da comunidade, para que se tenha um juízo perfeito do que vem acontecendo. A Casa de Saúde Santana é um hospital com mais de 50 anos, com 99% dos atendimentos a pacientes do SUS de Feira e região. Às 14h30, eu estava operando pacientes que estavam internados, que estavam há mais de 120 dias aguardando cirurgia por uma série de fatores, quando a cigarra do hospital foi acionada de forma grosseira e ríspida, com murros na porta do centro cirúrgico. Eu estava com a equipe cirúrgica com um senhor hipertenso, de 70 anos de idade. Termino o procedimento e vou até a porta procurar saber o que estava acontecendo. Tratava-se do prepostos da Dires com um ato de interdição, dizendo que haveria irregularidades e ordenando que todos saíssem para que eles lacrassem o centro cirúrgico. Não me restou outra reação a não ser a de prestar uma queixa”, relatou o médico.
Tarcízio Pimenta informou ao Acorda Cidade que a ação colocou a vida dos pacientes internados em risco. Dezesseis deles foram operados naquele dia e estavam internados.

“Eu nunca vi um fato deste em pleno centro cirúrgico, no momento de uma cirurgia. Poderia ter deixado para depois. Qual a opção que eles têm a apresentar aos pacientes? Tem pacientes com hérnia para ser estrangulada, tem pacientes sangrando, com miomas do tamanho de uma bola, tem crianças que não conseguem urinar porque estão com fimose obstruindo o canal urinário, tem pacientes ortopédicos perdendo a função do braço, com as pernas tortas...Precisamos saber para onde vão estas pessoas. As pessoas não podem ficar trancadas em uma sala tomando atitudes que prejudicam as pessoas mais humildes”, desabafou Tarcízio Pimenta.

O Acorda Cidade procurou a direção do Núcleo Regional de Saúde para obter informações sobre as causas da interdição, mas até o fechamento desta matéria não obteve êxito.(Acorda Cidade)

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