sexta-feira, 12 de maio de 2017

SALVADOR:Infestação do mosquito da dengue aumenta após falta de água, diz SMS

A infestação do mosquito Aedes aegypti, que é responsável por transmitir doenças como dengue, zika e chikungunya, passou de 1,1%, em janeiro deste ano, para 3,1%, em abril - ou seja, a cada 100 imóveis visitados, três apresentaram focos do mosquito. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (12) pela Secretaria Municipal da Saúde de Salvador (SMS). Em nota, a SMS afirma que a "intermitência no abastecimento de água na capital pode ser um dos fatores determinantes para o aumento do indicador". O chamado Levantamento de Índice Rápido para Aedes aegypti (LIRAa) foi realizado entre os dias 4 e 7 de abril e apontou que o Índice de Infestação Predial (IIP) em Salvador aumentou em comparação com janeiro.

 O estudo revelou ainda que os depósitos preferenciais estão dentro dos domicílios como baldes, tonéis e outros recipientes utilizados para armazenamento de água. De acordo com a coordenadora de Vigilância à Saúde da SMS, Isabel Guimarães, a interrupção no abastecimento de água que acomete a capital nos últimos meses pode ser um dos fatores determinantes para o aumento do indicador. "Vários fatores contribuem para o aumento do indicador nesta época do ano. As condições climáticas com chuvas e forte calor facilita a reprodução dos mosquitos. Outro fator a ser considerado é o armazenamento de água em depósitos a nível de solo, local onde as equipes de campo mais encontram focos do Aedes aegypti, sendo que esta situação está ligada a intermitência no fornecimento de água. Naturalmente, quando não há um fornecimento regular de água nas residências as pessoas buscam se organizar através do armazenamento em recipientes, que são prato cheio para proliferação do vetor se não estiverem devidamente tampados ou cobertos", explicou.

 A Embasa foi procurada mas até o momento não se posicionou. A SMS informou que, para o enfrentamento das doenças transmitidas pelos mosquito, a prefeitura retomou no início do mês os “faxinaços” por toda a cidade com o objetivo de eliminar focos e criadouros dos vetores. "Estamos mantendo as ações de rotina como os mutirões de limpeza nos bairros prioritários, em parceria com a Limpurb. Nessa mobilização, intensificamos as visitas casa a casa, além de trabalhos de manejo ambiental, limpeza, remoção e descarte de lixo ou quaisquer outros materiais que possam se tornar criadouros nessas localidades", afirmou Isabel. Número de casos reduziu Apesar do aumento da infestação, Salvador tem apresentado queda acentuada no número de casos confirmados de dengue, zika vírus e chikungunya.

 Entre janeiro e abril deste ano, 116 casos de dengue foram confirmados. O número é cinco vezes menor que o do primeiro quadrimestre de 2016, quando 626 pessoas tiveram diagnóstico positivo. Em relação à chikungunya, o registro foi sete vezes menor, com 11 infectados até abril contra 79 no ano anterior. Já o número de pacientes com zika vírus chegou a 15 – menos da metade do que foi computado em 2016, quando 32 pessoas apresentaram sintomas da doença nos meses de janeiro a abril. Assim como no resto do Brasil, as três arboviroses dengue, zika e chikungunya tiveram uma redução na Bahia, nos primeiros meses de 2017 em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados divulgados pela Secretaria Estadual da Saúde (Sesab). A redução é de quase 10 vezes no número de casos. 

Os dados são dos boletins epidemiológicos de maio de 2017 e 2016. Somente a dengue teve uma redução de 90,2% no número de casos, saindo de 54.776 em 2016 para 5.379 este ano. A zika também caiu de 36.725 para 1.187 e a chikugunya saiu de 25.065 para 4.982. Todas as doenças são transmitidas pelo Aedes aegypti, que também transmite a febre amarela, doença que começou a ser detectada na Bahia este ano. Para a diretoria de vigilância epidemiológica da Sesab, um dos motivos da queda nas notificações é que grande parte da população já foi contaminada com um dos vetores nos anos anteriores, e agora está menos suscetível a contraí-las novamente.

0 comentários:

Deixe aqui sua opínião