domingo, 30 de julho de 2017

OPINI√ÉO ūüĎĀ Que pa√≠s √© o nosso?

√Č dif√≠cil crer em um pa√≠s cujas institui√ß√Ķes perderam totalmente suas cren√ßas e valores
Divulga√ß√£o/Eletrobras 

*Cl√°udio Slaviero 

O presidente da John Deere do Brasil, Paulo Herman, em recente entrevista, perguntado sobre como v√™ o atual cen√°rio brasileiro e qual mensagem gostaria de deixar aos brasileiros, foi r√°pido. Sem pestanejar, disse que dever√≠amos ler menos jornal e assistir menos √† televis√£o, acreditar mais em nossa voca√ß√£o, compet√™ncia, capacidade e honestidade. Afirmou que esse pa√≠s dos notici√°rios 24 horas por dia n√£o √© o nosso, n√£o nos pertence, n√£o somos n√≥s e n√£o nos representa. Foi al√©m, ao dizer que devemos varrer do mapa esse tipo de gente que se apoderou do Estado em benef√≠cio pr√≥prio, “somos farinha de outro saco, gente de outra estirpe”, comentou, acrescentando: “Devemos fazer marca√ß√£o cerrada para eleger apenas aqueles que representem nossos ideais e n√£o esses pol√≠ticos que a√≠ est√£o”.

Uma ressalva apenas. Primeiro, a mídia não é o principal problema do país, e sim o que ela revela, a fotografia crua, às vezes de modo exagerado, do mundo em que vivemos. Por outro lado, esse não é o país que me representa por vários motivos e o principal deles é a inversão de valores da maioria dos seus políticos.

Se considerarmos que o neg√≥cio que mais prospera hoje no Brasil √© a fabrica√ß√£o de tornozeleiras eletr√īnicas, podemos imaginar a que n√≠vel chegamos. Outro exemplo: a usina Angra 3 levou mais de 30 anos para ser constru√≠da e ainda n√£o est√° pronta, mas exigiu bilh√Ķes de reais e provocou um dilema: ou se gasta mais R$ 17 bilh√Ķes para termin√°-la ou R$ 12 bilh√Ķes para desativ√°-la. Pode-se levar a s√©rio essas terras?


Temos um Estado inchado, perdul√°rio, ineficiente e ineficaz, mal administrado, com governos endividados e corruptos 

O quadro que resulta da√≠, ou que √© seu produto, √© que temos um Estado inchado, perdul√°rio, ineficiente e ineficaz, mal administrado, com governos endividados e corruptos. Esse √© o retrato que a m√≠dia nos mostra: burocracia, juros altos, um emaranhado de mais de 5 mil normas tribut√°rias e impostos abusivos. Corporativismo do funcionalismo p√ļblico, peleguismo absurdo em 17 mil sindicatos, falta de atendimento √† sa√ļde, pouca aten√ß√£o ao ensino fundamental, protecionismo e aumento da desigualdade social, presente aos caloteiros... Melhor parar?

O que vemos √© a desesperan√ßa, um pa√≠s √† deriva, sem boas refer√™ncias a seguir, com invers√£o total de valores. Se por um lado a Justi√ßa est√° colocando ricos e poderosos na cadeia, por outro vemos que ela mesma tem mecanismos para tornar a pris√£o ef√™mera. Quem, em s√£ consci√™ncia, pode acreditar nas decis√Ķes dos doutos doutores?

As cores s√£o tr√°gicas: √© dif√≠cil crer em um pa√≠s cujas institui√ß√Ķes perderam totalmente suas cren√ßas e valores; onde o presidente da Rep√ļblica amarga acusa√ß√Ķes e est√° prestes a ser cassado por crime de corrup√ß√£o; um pa√≠s onde um ex-presidente foi condenado a nove anos de pris√£o por corrup√ß√£o passiva e lavagem de dinheiro, em apenas um dos seus cinco processos a serem julgados; e, finalmente, no mesmo pa√≠s em que a ex-presidente, impedida pelo Congresso por ser incompetente e ter levado o pais √† bancarrota, continua sendo convidada a dar palestras. √Č dif√≠cil tanto para Herman como para n√≥s.

Esse pais, desnorteado, flerta com o abismo, depois de sair do pesadelo Lula e sua gangue do PT. No ano que vem, quando das elei√ß√Ķes, talvez possa encontrar o m√≠nimo de seu rumo, ao decidir para que lado iremos: o da verdadeira democracia, liberal com crescimento econ√īmico e de ideais morais, ou da esquerda populista, retr√≥grada, ditatorial como a Venezuela, elogiada, n√£o sem motivos, pela senadora petista Gleisi Hoffmann. Se a inseguran√ßa, o tr√°fico de drogas, os assassinatos e a corrup√ß√£o tomaram conta do cotidiano (e √© isso que a m√≠dia nos mostra todo dia), a impaci√™ncia tomou conta de nossos cora√ß√Ķes e esperan√ßas.

Nosso pa√≠s √© aquele em que a palavra dada valia e era cumprida; em que honra e √©tica eram valores guardados dentro do peito e honradas; em que homens p√ļblicos eram dignos e respeitados; em que a honestidade era valorizada. Nosso pa√≠s √© aquele em que as leis eram cumpridas, em que respeit√°vamos nossos policiais, professores, pais e familiares; em que viv√≠amos com maior seguran√ßa, pod√≠amos sair tranquilos a qualquer hora do dia ou da noite; e, especialmente, em que t√≠nhamos vontade de crescer, investir, empreender, produzir e viver, com um futuro √† frente; e, sobretudo, t√≠nhamos esperan√ßa e orgulho de nossa p√°tria.

*Cl√°udio Slaviero, empres√°rio, √© ex-presidente da Associa√ß√£o Comercial do Paran√° e autor de “A vergonha nossa de cada dia”.

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