quinta-feira, 27 de julho de 2017

TRIBUNAL DO CRIME: Poder paralelo define julgamento e mortes de “X-9” em Salvador

Humberto, Antônio, Gilmar e Osvaldo. Esses são nomes comuns, mas que engrossam uma estatística preocupante que se instalou em Salvador entre junho e julho: os tribunais do crime. Eles julgam, condenam e executam. Os quatro foram assassinados por traficantes que viam nas vítimas “problemas” para seus “negócios”.

Coincidentemente ou não, três casos aconteceram no complexo do Nordeste de Amaralina – que engloba o Vale das Pedrinhas, Santa Cruz e Chapada do Rio Vermelho. A primeira condenação no período de um mês foi contra Humberto Carlos Cerqueira Santos, o “Seu Bigode”, 71 anos.

Era início da noite do dia 18 de junho quando ele foi surpreendido por vários homens, que atiraram sem piedade. Vizinhos contaram que o idoso não permitia que os traficantes vendessem drogas perto do seu pequeno bar, localizado na Vila Indiana. Isso teria sido o motivo da brutalidade.

Menos de 30 dias depois, mais dois homicídios e uma tentativa com o teor parecido na mesma região. Antônio Carlos Batista, de 74 anos, e Gilmar Maia Costa, 38, estavam na lista do tribunal do mal e foram “eliminados” na mesma data, 15 de julho. Testemunhas que acionaram a Polícia Militar disseram que Antônio era considerado “X-9” pelos traficantes. A nomenclatura é dada à pessoa que passa informações dos bandidos para a polícia.

Seu Antônio conversava com o ex-PM Eduardo Capistrano dos Santos por volta das 16h, na Chapada do Rio Vermelho, quando foi baleado e morreu. Capistrano, demitido em 2008 do Batalhão de Choque após ser condenado pela Justiça comum por homicídio, só não se tornou vítima fatal porque um dos tiros acertou seu ombro.

Três horas mais tarde, Gilmar também foi morto. O segurança passava pelo Vale das Pedrinhas quando foi executado à queima roupa. Exatos dois meses antes antes, o homem impediu um assalto no supermercado Extra, localizado na Avenida Vasco da Gama. Isso teria sido o motivo do assassinato.


Imagem da casa onde ocorreu o assassinato em São Caetano

Entre 18 de junho (data da morte de “Seu Bigode”) e 18 de julho, o complexo do Nordeste de Amaralina registrou ainda outros quatro assassinatos. O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) investiga todos eles.

MAIS VIOLÊNCIA 

No intervalo de tempo entre as atrocidades contra Humberto, Antônio e Gilmar, outro homem foi vítima do tribunal, em 13 de julho. O rodoviário Osvaldo Mathias da Conceição Filho, de 55 anos, passava pela Rua Geolândia, bairro de Campinas de Pirajá, quando foi morto por vários homens. O crime aconteceu bem cedo, às 5h.

Cotidianamente, ele ia de motocicleta à localidade para pegar seu almoço. O vizinho dele, identificado como Wellington, o “Porquinho”, sabia de todos os passos do motorista e passou as coordenadas para seus comparsas, integrantes de uma quadrilha que atua na região.

Poucas horas depois da ação, “Porquinho” foi preso. O titular da 4ª Delegacia Territorial (DT/São Caetano), Nilton Tormes, informou que a quadrilha do suspeito achava que Osvaldo era “X-9”. Já os demais acusados, Heric Lenne Batista de Matos Mendes e Adailton da Silva Souza, foram localizados nesta quarta-feira (26/7).

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